imagens e textos - leonardo soares
textos e imagens - rosaura soligo

quinta-feira, 10 de maio de 2012

nem vem

leonardo soares

– Cê num acha bão nóis largá mão dessa ideia e voltá lá pra roça, naum?
– Uai, hómi! Cê num me atormetô que queria porque queria vim cá?! Pois agora vamo tê de encará.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

perdi

leonardo soares















eu perdi
o meu medo,
o meu medo
da chuva.
aprendi

o segredo,
o segredo
da vida.
[raul]

sexta-feira, 27 de abril de 2012

sábado, 21 de abril de 2012

apenas desejos

leonardo soares

Abre-se o livro e o reino é distante de tudo que conhecemos. Não há um feito heroico apenas, pois todos lutam a seu modo para sobreviver. O rei existe e é tirano. As ruas cheiram ouro em barras e pepitas, pois são feitas de imaginação. Quando os sóis nascem todos os dias, é hora de regarimpar. As pessoas não conversam muito e se entendem só de olhar. Lá os dragões bebem sangue, suor, lágrimas e toda a cachaça que houver. As pedras no caminho são exatamente isso: pedras quase insuperáveis no caminho. Ali é proibido sentir aquela saudade que torce o coração, pois ninguém aguenta saber a dor que isso carrega. A solidão só é cultivada sozinha, não se divide nem com a sombra. No final do arco íris tem sim um pote de ouro, mas ninguém jamais alcançou, a não ser o rei. Nas noites intermináveis, o sonho é de tudo que não é ali. Nesse livro não há números nem páginas, apenas desejos.

[decalque de Rosaura Soligo a partir do original, de Paty Yumi,
publicado em http://poisalgumlugar.wordpress.com/2012/04/21/livresco/]

sábado, 14 de abril de 2012

cidade invadida

leonardo soares [texto e imagem]



e ele calado, pensativo em alguma invenção, em alguma magia, mesmo que fosse a mesma que fazia o céu escurecer de repente e as águas caírem com braveza. imaginava o movimento da roça chegar na cidade e fazer do centro comercial o meio do mato. cada rua, rio. cada travessa, afluente. o beco mais esquecido, afluente do afluente. ou do ribeirão, serpenteando feito cobra coral. e do mercado central um brejo. e no seu jeito de imaginar, trocava o zunido metálico do fechar de porta das lojas pelo barulho dos bichos que cantavam com mais força no entardecer, quando a claridade minguava e a noite, de pouco em pouco, de par em par, tomando o espaço do dia, tingia tudo com um azul quase triste. mas achava que era só sonho de sonhador, sonho sonhado que nunca seria de verdade.